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Números vão mostrar recessão, mas país pode se recuperar

No último trimestre do ano passado, o PIB, o total do que o Brasil produz, encolheu. O número ainda não foi divulgado, mas quando for, será negativo. Neste primeiro trimestre do ano, também a produção, o emprego, as vendas estão diminuindo. Tecnicamente, quando há dois trimestres seguidos de redução das riquezas que um país produz o nome é recessão. Notícias de demissão, infelizmente, estão ficando cada vez mais comuns, assim como adiamento de investimentos e redução de vendas.

As informações da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) de que o Brasil é o único país que não vai ter desaceleração forte estão atrasadas. Na verdade, a economia brasileira já teve uma forte desaceleração, de outubro para cá. Mas tem chance de se recuperar este ano ainda e no final do ano, fechar no positivo.

O mercado está prevendo um crescimento de 2% no ano de 2009. Isso é muito baixo, porque parte disso é efeito estatístico de ter crescido muito no ano passado. O governo pode fazer muito para evitar o pior. Pode investir, por exemplo.

No ano passado ele não investiu tudo o que estava autorizado a fazer pelo orçamento. Nem mesmo o dinheiro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi completamente usado. O Banco Central vai reduzir os juros na semana que vem e entrará em uma fase de queda dos juros. É outra medida para evitar o pior. Isto porque a inflação está caindo e a economia ficando mais fraca. A hora é de reduzir os juros.

O grande desafio este ano é segurar os empregos. Depois de quatro anos aumentando o emprego formal, reduzindo a taxa de desemprego e melhorando os salários, os dados vão mostrar o contrário.

A taxa de desemprego do IBGE que sairá hoje, referente a dezembro, não será ruim. Mas o número de empregos formais divulgados pelo ministério do Trabalho esta semana pode mostrar a queda de 600 mil postos de trabalho.

Esse é um desafio do Brasil de 2009: manter e criar emprego em uma economia que passará por um período negativo, mas que, se tudo der certo, pode melhorar ainda este ano.
Ontem, o presidente Lula estava na Couromodas. De lá, vem a informação de que chegam ao Brasil calçados da China a US$ 1. Alguns setores pensam que é preciso medidas protecionistas. Mas isso acaba reduzindo o comércio internacional e ferindo mais as economias.

No entanto, a China é outro caso. O país tem produtos tão baratos que é preciso criar medidas protecionistas para evitar fraudes. Esse ano é preciso cuidado com tudo. Há muitos jovens nas portas do mercado de trabalho. É preciso ter emprego para eles. 

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BOM DIA BRASIL - Rede Globo
Por: Miriam Leitão
13.01.2009




 

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