Presidente da TPC elogia união de Rui e Neto e diz acreditar em retomada em ‘V’

O grupo baiano TPC, um dos maiores no ramo de logística no país, comemorou 19 anos de história nesta semana. A empresa iniciou seus negócios através de uma operação portuária em Salvador, e, hoje, já atua em 24 estados do país. Buscando entender todas as necessidades logísticas do cliente e não somente prestar um serviço, a organização é referência no setor, tendo sido eleita a melhor operadora pela premiação da ABOL (Associação Brasileira de Operadores Logísticos) de 2019.

Em entrevista à BP Money, Leonardo Barros, presidente da TPC, retoma a trajetória da companhia e conta como a crise do novo coronavírus impactou os negócios. Os investimentos tecnológicos, para ele, foram um ponto crucial para lidar com as dificuldades do período. “Se todos os 24 estados que trabalhamos não estivessem conectados, seria quase impossível superar essa crise”, disse.

Ao elogiar os “bons trabalhos nas grandes capitais”, o executivo mencionou a união do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), e do governador baiano, Rui Costa (PT), no enfrentamento à pandemia. “Acho que a Bahia é um case, pois o prefeito de Salvador e o governador do Estado se juntaram, mesmo sendo de partidos totalmente opostos, para conduzir isso de maneira conjunta”, analisou.

Barros também falou sobre as expectativas do futuro pós-coronavírus e o formato da famigerada recuperação econômica. “Eu não acredito no retorno da economia em “W” como estão falando. Eu acho que será em “V”, mas não tão rápido”, declarou.

A TPC foi referência nacional em traçar boas estratégias na última crise. Como vocês estão vendo esse novo momento difícil?

Trazendo um histórico, a logística foi um dos setores que não parou, por isso não tivemos esse impacto de descontinuidade das operações. Lógico que tivemos ações rápidas e importantes na tomada de decisões. No dia 11 de março criamos nosso comitê de crise para começar a administrar essa crise. Esse comitê se reúne até hoje. Tivemos que fazer algumas mudanças, como investir em prevenção, o que acredito que foi o melhor caminho. Em um universo de mais de 4 mil de colaboradores, tivemos cerca de 60 trabalhadores infectados ao longo desse tempo. Vale salientar que nenhum caso desse impactou na operação, pois sempre tomamos os cuidados de controlar a temperatura diariamente, entre outras coisas. Contratamos cientistas, infectologistas, fizemos campanhas internas sobre a prevenção, como lavar as mãos e usar máscaras. Caso algum trabalhador apresentasse sintomas, nós afastávamos logo, deixando-o em casa e de maneira isolada. E sempre higienizávamos às nossas áreas de trabalho. Colocamos 170 pessoas em home office, e continuam. Só retornou para os escritórios aqueles que não tinham uma infraestrutura adequada com boa internet, por exemplo. Outro ativo que herdamos da crise foram às videoconferências. Como estamos em 24 estados do país, fazíamos muitas viagens. E tenho certeza de que estamos produzindo muito mais fazendo reuniões por videoconferência. Em contrapartida, tivemos que fazer algumas reduções. Quando montamos o comitê, tivemos que pensar nessas possibilidades de fazer algumas reduções, tivemos que reconfigurar a empresa para uma possibilidade de queda de faturamento. No meu caso de logística, eu faturo quando meu cliente fatura. Então se ele reduz, a minha operação também reduz. Alguns segmentos caíram bastante, como varejo. Fizemos também uma redução de estrutura para poder enfrentar uma potencial queda de faturamento ao longo do ano. Fizemos uma redução de custo na ordem de R$ 5 milhões, que vai refletir no nosso ano, que dá para acompanhar uma queda de 10% a 15% da nossa receita, mas não sei nem se vamos perder isso. Então temos passivos e ativos nessa crise.

A TPC sempre teve como marca fazer aquisições estratégicas em períodos de crise. O que vocês fizeram dessa vez e como avaliam esses negócios?

Fizemosuma aquisição de uma plataforma de full-ecommerce em 2019 e nem sabíamos dessa pandemia. Trouxemos essa plataforma para que a gente pudesse prover para nossos clientes uma operação de comércio eletrônico de ponta a ponta. E aí veio a pandemia que acelerou esse processo, tornando essa plataforma um produto importante para a gente. E tenho certeza de que isso ficará para os próximos tempos, de poder comprar dentro da sua própria casa. Agora, durante a pandemia nós não avaliamos fazer novas aquisições. Um sócio nosso está de olho em oportunidades, mas por enquanto nós decidimos fazer um colchão financeiro para poder superar essa crise.

No mercado, assim como na economia real, a crise oferece boas oportunidades, mas também armadilhas de empresas que parecem ter um futuro de reestruturação, mas na verdade estão ultrapassadas. Como separar o joio do trigo?

Temos um sistema integrado de tecnologia que é muito robusto. Eu gero todo tipo de informação da minha empresa no meu Ipad. Na palma da minha mão. E isso foi importante, principalmente nesse momento de crise. Se todos os 24 estados que trabalhamos não estivessem conectados, seria quase impossível superar essa crise. E o que eu quero dizer com isso? É que muitas empresas são bonitas por fora, mas quando abre a porta não tem essa consistência tecnológica. Então muita gente vai, com certeza, ficar no meio do caminho por conta dessa crise.

O que você está vendo para o futuro econômico pós-Covid?

Eu não acredito no retorno da economia em “W” como estão falando. Eu acho que será em “V”, mas não tão rápido. Sou apartidário, mas tenho visto alguns bons trabalhos nas grandes capitais para que a reabertura aconteça com todo cuidado, sem prejudicar a economia e as pessoas. Acho que a Bahia é um case, pois o prefeito de Salvador e o governador do Estado se juntaram, mesmo sendo de partidos totalmente opostos, para conduzir isso de maneira conjunta. Eles deram um exemplo para o Brasil, e acho que nosso retorno será em “V”. Já enxergamos uma luz no fim do túnel, mas ainda com alguma incerteza. Meu segmento não parou, mas se formos pensar em restaurantes, turismo que sofreram bastante, com muita gente perdendo empregos, então não sei como será a velocidade desse retorno de emprego.

* Matéria publicada originalmente em 24 de julho de 2020. Confira no link: https://bpmoney.com.br/entrevistas/presidente-do-grupo-tpc-elogia-uniao-de-rui-e-neto-e-diz-acreditar-em-retomada-em-v/

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.